sábado, 6 de outubro de 2007

Metade



Vou te deixar partir... Mesmo que eu meu coração implore que fique!
Já que queres te deixarei... Mesmo que o meu coração sangre ao te ver partir...
Mas saiba que meus dias perderão a cor e os sentidos. E minha existência não passará de uma ponta no universo perdida. Onde não se alcança, onde não se pode ver.
Deixarei-te partir, porque sinto que queres... Que é o teu desejo...
Mas saiba, há de levar contigo minha alegria. E serei apenas metade.
Metade de alguém que conheceu a felicidade, e a viu partir.
Metade de alguém que teve o brilho do sol em seus dias, e agora mergulha em uma profunda escuridão.
Metade de alguém que teve em sua vida um belo jardim e o perfume das rosas, e agora restaram algumas flores secas, e seu jardim, já não é tão belo como antes.
Metade de alguém que um dia, teve a musica em sua vida, todos os dias, todas as manhas, e agora não há nada, além de um silencio doloroso.
Metade de alguém que teve suas noites cheias de amor, e um céu cheinho de estrelas, além da lua por testemunha, e agora... O que restou?!
Apenas o desejo de que mude de idéia e não queira mais partir...
De que entenda, que há em mim, um amor sub-humano... E que com você, iria até o fim do mundo se preciso fosse...
De que ouça, o que o meu coração diz, implorando que não se vá...
Fique! Mas desta vez, fique por inteiro... E não pela metade.
{Nane Castro}06/10/2007

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Felicidade



És precária e veloz, Felicidade.
Custas a vir e, quando vens, não te demoras.
Foste tu que ensinaste aos homens que havia tempo,
e, para te medir, se inventaram as horas.

Felicidade, és coisa estranha e dolorosa:
Fizeste para sempre a vida ficar triste:
Porque um dia se vê que as horas todas passam,
e um tempo despovoado e profundo, persiste.


Cecília Meireles